Os termos empatogênico e entactogênico são diferentes termos utilizados para descrever uma classe de drogas psicoativas que produzem distintivos efeitos sociais e emocionais semelhantes aos do MDMA (”ecstasy”). Outros possíveis membros desta classe são GHB, MDA, MDEA, MBDB, BDB, MDMC (bk-MDMA), bk-MBDB, EIA, e AMT.
Entactogênicos são muitas vezes citados erradamente como grandes alucinógenos ou estimulantes, embora os seus efeitos muitas vezes tenham um pouco dessas características.
O termo “empatogênico” foi cunhado em 1983 por Ralph Metzner para designar agentes químicos que induzem sentimentos de empatia. “Entactogênico” foi cunhado por David E. Nichols como uma alternativa ao “empatogênico”, tentando evitar o potencial de associação imprópria deste último com conotações negativas relacionadas com a raiz grega “pathos” (sofrimento); Nichols também achou que a palavra era limitada, e que não abrangia outros usos terapêuticos para os medicamentos que vão além dos sentimentos de empatia. A palavra “entactogênico” é derivado da raiz “en” (grego: dentro) “, tactus” (latim: toque) e “gen” (grego: produzir).
Estas drogas parecem produzir um espectro de efeitos psicológicos diferentes dos principais estimulantes, como anfetaminas e metanfetaminas ou de grandes drogas psicodélicas, como o LSD ou Psilocibina. Como está implícito no nome, usuários de entactogênicos dizem frequentemente que estas drogas produzem sentimentos de compaixão, amor e proximidade emocional com os outros.
Farmacologicamente os empatogênicos, no tocante a seu efeito nos sistemas biológicos, é considerado o protótipo de uma nova classe de agentes que, como se diz, pode esclarecer sentimentos. Não é uma substância psicodélica.
Praticamente nunca leva a distorções visuais ou auditivas, como outras substâncias relacionadas a ela. Ao contrário, aumenta em muito a capacidade empática de uma pessoa, com perturbações mínimas dos processos sensoriais normais e por esta razão parece uma ferramenta ideal na psicoterapia.
Ferramenta em Psicoterapia? Sim estudos recentes realizados na Universidade de Chicago relatados na revista Biological Psychiatry edição de dezembro de 2010, apontam, ainda precocemente, que o estacse seria ideal para os primeiros passos no percurso psicoterápico.
O ecstasy, ou metilenodioximetanfetamina (MDMA) aumenta os sentimentos relacionados à empatia e conexão social. Esses efeitos “empatogênicos” sugerem que o ecstasy possa vir a ser útil no tratamento de psicoterapia de pessoas com dificuldade para se relacionar com os outras, como as pessoas que sofrem de autismo, esquizofrenia ou transtorno de personalidade anti-social.
No entanto, tem sido difícil medir esses efeitos objetivamente e há poucas pesquisas realizadas com humanos.
Dr. Gillinder Bedi, autor do estudo, explicou: “Nós descobrimos que o ecstasy produzia simpatia, ludicidade e sentimentos amorosos até mesmo quando administrado a pessoas no laboratório sem qualquer contato social.Também descobrimos que o ecstasy provoca uma redução na capacidade das pessoas de reconhecer expressões faciais de medo nas outras.” Esses dados sugerem que o ecstasy produz efeitos que tornam os outros mais atraentes e amigáveis, o que serve como um importante motivador para usá-lo como droga recreativa. E ele também faz com que a outra pessoa pareça menos ameaçadora, o que pode aumentar os riscos de quem o ingere.
“Dentro do contexto de tratamento, esses efeitos podem promover a intimidade entre pessoas que têm dificuldade de se relacionar com outras”, observou o Dr. John Krystal, editor da Biological Psychiatry. “No entanto, o ecstasy distorce a percepção que você tem de outra pessoa em vez de produzir uma empatia verdadeira. Além disso, o ecstasy pode causar problemas se levar as pessoas a interpretarem mal o estado emocional e até mesmo a intenção dos outros”.
Na verdade é bem difícil descrever a maneira como tais substancias funcionam porque ela tem a ver com percepções intuitivas do sujeito. Regressões profundas, que ocorrem com psicodelico, acontecem ocasionalmente, mas quase não se tem registros. Os empatogênocos indica, na maioria das vezes, levar o individuo a experienciar muitos insights, apenas relacionados com sua atual situação de vida. A substancia parece afrouxar, temporariamente, as resistências e barreiras contra os insights em regiões e relacionamentos intuitivos, tornando possível se trabalhar com experiências não resolvidas e emocionalmente bloqueadas. Via de regra, pode-se reconhecer uma grande melhora na comunicação tanto ao nível de intuição verbal como no de intuição direta. Auto estima e uma forma positiva de encarar a vida são encorajadas. A expansão da perspectiva espiritual, por um lado, e o aumento da afeição e do calor humano entre os participantes, por outro, geralmente leva a um claro e continuo alívio relacionado a problemas originados no passado.
Estudos realizados pela Scientific American, publicados em julho de 2010 pelo Journal of Psychopharmacology, sugere que o esctasy seria eficaz no tratamento de estresse-pós traumático (EPT).
O estudo foi realizado com 21 participantes que desenvolveram EPT crônico e resistente a tratamentos, que passaram por situações relacionadas a crimes ou guerra. Foram duas sessões em que receberam uma dose de MDMA (metilenodioximetanfetamina, o nome químico do ecstasy) ou um placebo. Assim que a sessão de psicoterapia começava, aqueles que receberam o MDMA tomavam uma dose de 125 miligramas, o que é geralmente a dose que um usuário recreativo toma em um clube. Duas horas e meia depois, eles recebiam metade dessa dose novamente, para assegurar que os efeitos continuassem. O grupo que tomou o placebo recebeu pílulas de açúcar ao mesmo tempo, e os dois grupos tiveram cerca de oito horas de psicoterapia no total.
Dois meses após o tratamento, menos de 17% das pessoas que receberam o MDMA continuaram com o diagnóstico de EPT, contra 75% das pessoas que receberam o placebo. "Nossos resultados são encorajadores, e não tivemos nenhum problema significativo de segurança", disseram os responsáveis pelo experimento.
Certamente, mais pesquisas devem ser realizadas antes de se considerar o uso da droga como tratamento psicoterapêutico. Mas, o estudo em questão também sublinhou a necessidade de entendermos mais sobre as formas que as diferentes drogas afetam as experiências sociais, uma vez que as drogas são comumente usadas nesses ambientes.
Texto adaptado do Livro Psicoterapia Psycolitica, e das revistas citadas no texto.

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