Pesquisa do Instituto de Psicologia ajuda a caracterizar diferentes tipos de autismo


Apesar de muito estudados, os transtornos do espectro autista, que incluem o autismo clássico e os de outros tipos, continuam representando um desafio para a ciência – desafio que é ainda maior para seus portadores e familiares, obrigados a conviver com preconceito, dificuldade de diagnóstico preciso e, por isso mesmo, falta de tratamento adequado.

Um estudo realizado no Laboratório de Visão do Instituto de Psicologia (IP) da USP, busca contribuir no campo do diagnóstico, ao verificar se é possível diferenciar o autismo de alto funcionamento da síndrome de Asperger. Para isso, a pesquisa comandada pela psicóloga Elaine Zachié analisou o desempenho de pacientes em testes neuropsicológicos computadorizados.
Os testes avaliam itens como atenção, memória, raciocínio, planejamento, controle do comportamento e tomada de decisão e podem ajudar clarear o debate atual entre autores na literatura científica. A importância da diferenciação dos transtornos é que isto proporcionará mais precisão no encaminhamento dos pacientes e também melhoria na elaboração de estratégias de tratamento, para que eles se desenvolvam nas características em que apresentam dificuldades. "Se colocarmos todos (os pacientes) em um grupo só, podemos deixar de dar uma assistência específica para o que cada um está precisando", explica a pesquisadora.
Os tratamentos para estes casos incluem, por exemplo, atividades educacionais em grupo que os ajudam a lidar melhor com interações cotidianas, e terapia com animais, para que os pacientes saibam identificar sentimentos e também expressá-los. Desde que seus portadores sejam corretamente encaminhados, o autismo de alto funcionamento e a síndrome de asperger têm uma boa perspectiva de melhora. "O prognóstico é melhor porque estes pacientes têm uma capacidade intelectual e de comunicação maior do que em outros tipos de autismo", justifica a psicóloga Elaine Zachi.
Para a pesquisadora, mesmo que a família em geral não receba a notícia de que tem um filho autista de uma maneira muito boa, é importante que ela saiba que os portadores conseguem ter uma vida normal. "Com algumas dificuldades, sim, mas, dependendo do caso, podem ter seu trabalho, casar e serem independentes", completa.
A pesquisadora procura pacientes já diagnosticados com síndrome de Asperger ou autismo de alto funcionamento para participar da pesquisa.
Mais informações: (11) 3091-1914, email elaine-zachi@uol.com.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , com Elaine Cristina Zachi.

Fonte: Universidade São Paulo

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